Eu fui!!!
Desde pequena eu sempre fui meio doidinha, sempre gostei de rock. Não tanto pelos caras, mas pelo ritmo mesmo. Um bom solo de guitarra me deixava mais feliz do que chocolate. Mas conforme eu fui crescendo uma coisa começou a me incomodar... Poxa vida, a maioria dos grupos de rock tinha algum envolvimento com coisas que eu não concordava, fossem elas drogas ou atitudes mesmo. Então eu ficava naquele dilema: curtia o som, mas não me sentia totalmente a vontade diante das letras e da vida dos caras.
Até que um dia, quando eu estava com 14 anos, a minha amiga Xanda apareceu em casa com duas fitas K7s na mão e um sorriso enorme nos lábios, dizendo:
- Dryzinha do céu, você não faz a menor idéia do que eu tenho aqui!!!
Colocamos a primeira fita pra ouvir: Nossa, era um som muuuito legal, rock mesmo, show! Então ela disse:
- Esse grupo se chama Petra! Não é o máximo???
É claro que eu concordei! Então colocamos a segunda fita e o som era um rock-pop, mas eu gostei até mais do que o primeiro. Adorei a voz do cara, o estilo... Então ela me falou:
- Esse cara é o MICHAEL W. SMITH. Não é maravilhoso???
Sim, sim, era maravilhoso!!! Mas o melhor de tudo foi quando ela me disse:
- Você não vai acreditar! Eles são evangélicos!!! As letras falam de coisas relacionadas a Deus!!!
Nem preciso dizer que nessa hora eu realmente não acreditei. Como assim, rock-evangélico??? Eu nunca havia ouvido nada parecido! Estavamos em 1985 e isso realmente era algo que não se via como hoje em dia. Eu me apaixonei e ouvia sempre! Mas os LPs eram importados, então acabei ficando com essa fitinha K7 como sendo a única gravação das músicas do Michael W. Smith até muitos anos depois, quando finalmente começaram a lançar os cds no Brasil.
Final da história: Sábado passado rolou no Morumbi-SP o primeiro show do Michael W. Smith no Brasil. Eu, é claro, estive lá. Quase morri de emoção! Gente, esperei 20 anos por isso!!! Chorei várias vezes, principalmente quando ele cantou algumas de minhas músicas favoritas. Só quem já passou por isso pra entender o que senti lá... E quando ele disse "I love you, Brasillllll" e respondi gritando "I love you too!!!"!!!
Para ver algumas fotos do show, clique aqui.
Meu vai-e-vem diferente
Em meados dos anos 70 uma das grandes febres era aquele brinquedo chamado "Vai-e-vem", lembra? Em todo lugar você encontrava duas crianças, uma em cada ponta do brinquedo, abrindo e fechando os braços enquanto aquela coisa ovalada ia e voltava, ia e voltava, ia e voltava infinitas vezes... E o barulhinho? Zuiiiiiiiimmmmmm... zuiiiiiiiimmmmmm...
É claro que eu também queria um, mas era muito caro! Então a minha irmã mais velha, com toda a sua perspicácia, me convenceu a comprar um "genérico". O brinquedo funcionava igualzinho ao original, mas com uma diferença gritante: ao invés da "coisa ovalada", o que ia e voltava era um aviãozinho amarelo. Isso mesmo, um lindo aviãozinho! E a explicação dela foi a mais convincente:
- Dry, olha que lindo! É muito mais legal um aviãozinho do que aquela coisa ovalada!!!
Ok, me convenceu! Compramos e eu fui alegre e faceira pra casa, não vendo a hora de brincar com os meus amiguinhos! Chegando lá, desembrulhei o presente e levei na escola.
- Gente, olha o meu vai-e-vem!!!
- Isso não é um vai-e-vem! É um aviãozinho!
- Eu sei, mas é vai-e-vem do mesmo jeito!! É até mais legal, muito mais legal do que essa coisa ovalada!
- Mas a gente não vai brincar de vai-e-vem com um aviãozinho. Pode esquecer.
Voltei chateada pra casa... Como assim???!!! Mas na hora em que contei o que aconteceu, minha mãe teve uma idéia mirabolante!
- Ah, você não precisa de ninguém pra brincar com o seu aviãozinho! Me dá isso aqui!
Então ela amarrou a ponta do fio no puxador da veneziana da janela que era muito alta, quase no teto. Assim eu podia abrir os braços pra que o avião fosse até em cima, e ele desceria sozinho pra que eu o fizesse subir novamente!
Final da História: Meus amiguinhos gostaram tanto da idéia que sempre iam em casa pra brincar com o meu "vai-e-vem diferente". Faziam até fila pra brincar com o sensacional aviãozinho amarelo!!! Minha mãe, de longe, ria sozinha.
Como são as coisas, não?
O primeiro cofrinho a gente nunca esquece
O primeiro cofrinho que eu tive foi um da Fanta Uva. Era lindinho, uma latinha baixinha e gordinha com o desenho da Fanta Uva por fora e aquela conhecida abertura em cima pra colocar as moedinhas. A grande emoção era ouvir a mudança do barulho das moedinhas conforme o cofrinho ia enchendo... Vazio fazia TLÉC... pela metade fazia TLÓC... e quando estava quase cheio fazia TLÛC.
Eu sempre saía pela casa em busca de moedinhas. Revirava gavetas, olhava em baixo de tapetes, arrastava móveis, fuçava na bolsa de minha mãe e quando encontrava uma... era aquela alegria!!
Mas existe um outro tipo de cofrinho que tem sido muito comentado ultimamente. Ah, esse é lamentável. Ô coisa mais desagradável quando você está num lugar, andando tranquilamente e de repente... lá está ele bem a sua frente!!! Estes cofrinhos nos perseguem em ônibus, cinemas, shoppings, restaurantes, lanchonetes e até em igrejas! Eles estão em todos os lugares!!!
O primeiro desses cofrinhos que vi pertencia a um moço que trabalhava com o meu pai.
Pois é, meu pai sempre trabalhou como tapeceiro de automóveis e a sua oficina ficava no fundo do quintal de nossa primeira casa. Lá eu morei até os 2 anos e meio, e foi bem nessa época que me deparei com aquela coisa estranha. Me lembro perfeitamente daquele moço barrigudo, fedido, que cuspia no chão, tossia e falava alto. Um belo dia eu estava vendo o meu pai trabalhar e lá estava o moço que se abaixou pra pegar alguma coisa e... tchaaaannnsss!!!! Fui apresentada ao cofrinho!
Final da História: Fiquei com tanto medo, mas tanto medo que saí correndo, chorando.
Moda - A vergonha (Parte II)
Vocês já leram aqui a história do meu vestido vermelho... Mas tenho muitas outras histórias com muitas outras roupas incrivelmente horrorosas. Mas cá entre nós: quem nunca se vestiu de uma maneira ridícula achando que estava o máximo?
Quando eu ainda não escolhia as minhas roupas, as mulheres lá de casa davam seus palpites e me vestiam. Na formatura de minha irmã "do meio" eu tinha uns 10 anos e usei um vestido horrível, mas na época eu me achei lindíssima... Ele tinha grandes babados amarelos, coisa de louco. A onda do babado infelizmente demorou a passar... Tive mais alguns vestidos assim, mas uns até que eram bonitinhos, principalmente um azul.
Depois comecei a escolher minhas próprias roupas e uma combinação que eu adorava era calça beje com tênis topper. Palmas pra mim.
Teve uma época em que o máximo era usar a meia por cima da calça. Eu devia ter mais ou menos uns 11 anos, por aí... Colocava uma camiseta bem legal, calça jeans com a perna bem justa, aquele meião por cima, tênis e pronto! Estava pronta pra sair por aí, um verdadeiro sus-ces-so!
E aquele cintinho fino que a gente colocava por cima da blusa? Meu Deus, o que era aquilo??? Depois os cintos foram ficando mais largos, com fivelas quadradas imensas, laços... Um horror! Na mesma época lançaram aquelas tiaras de plástico com laços de plástico... socorro!
Tinha também os relógios Champion, aqueles que eram brancos vinham com várias pulseiras coloridas pra gente trocar e combinar com a roupa!
Mas nada foi tão emocionante do que usar calça OP cor de laranja com camiseta Hang Loose verde limão. Nossa, isso era o máximo... Na época eu assistia todos os programas de surf que passavam aos sábados na globo, assinava a revista Fluir (de surf), tinha carteira da OP (amarela com bordas pretas, emborrachada), e usava aquela mochila da Risca, toda quadriculada. Tinha gente que usava o tênis quadriculado combinando com a mochila, mas eu preferia o meu All Star de cano alto. Isso tudo acompanhado do meu chaveiro de pé de pato... É claro que eu não contava pra ninguém que eu nunca havia ido à praia.
Se eu não me engano, na mesma época existia o New Wave Glitter Gel... Cada tubo de gel tinha uma cor diferente de purpurina: azul, verde, dourado, prata, vermelho... Combinava legal com as maquiagens chocantes que a gente colocava: sombra bordô, batom bordô (que combinavam com esmalte bordô da colorama).
Houve a época do batom Boka Loka, lembra? Ah, cores vibrantes, bocas brilhantes! As embalagens eram todas iguais, mas as cores eram maravilhosas: pink, vermelhíssimo, douradíssimo, roxo... Isso sem contar no incrível batom 24 horas! Ah, quem é que nunca teve um? Aquela embalagem verde, medonha, com aquele batom rosa escuro que não saía da boca da gente nunca mais!!
Bons tempos aqueles... Andar na moda não era questão de estilo, era pura diversão!
Meu primeiro emprego
Aos 4 anos eu olhava para as pessoas e via que todas tinham um emprego! Todo mundo falava sobre trabalhar e ganhar dinheiro. Então eu e meu vizinho (aquele que gostava da Perla) resolvemos trabalhar também...
No quintal de sua tia havia uma plantação de roseiras. Ótimo, matéria-prima!!! Arrancamos mais ou menos umas 25 rosas, despetalamos cada uma delas com muito cuidado e colocamos numa tigela. Enchemos o recipiente com álcool (claro, tudo isso escondido dos adultos) e amassamos as pétalas até que se transformassem numa grande massaróca. Coamos e colocamos o líquido final em copinhos plásticos de cafezinho. Tchans!!! Estava pronto o nosso maravilhoso perfume de rosas!
O próximo passo era arrumar o nosso "ambiente de trabalho". Improvisamos uma mesinha com caixas de supermercado, colocamos uma toalha e levamos pra calçada!! Em cima da mesinha colocamos todos os copinhos com o "perfume" dentro. Mas... como as pessoas saberiam que estávamos vendendo perfumes ali??? Ah, não deu outra! Começamos a realizar a nossa estratégia de marketing:
- Olhaaaa oooo perfumeeeeeee! Perfume de roooooosaaaasss! Quem vaaai quereeeeerr????
Foi um sucesso!!! As pessoas vinham pra olhar, cheiravam e diziam:
- Hummmm, mas que perfume gostoso!!! Quanto custa?
- Custa 1 cruzeiro!
- Ah, eu vou levar um!
Final da história: Em pouquíssimo tempo vendemos todos os nossos "frascos". No final da tarde foi aquela alegria, estavamos ricos!!! Conseguimos 15 cruzeiros!!! Mas infelizmente o nosso emprego durou apenas um dia. Não entendemos o porque, mas a dona da matéria-prima resolveu boicotar o fornecimento...
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