Baú da Felicidade
Essa foi muito boa! Lá estava eu com os meus 11 anos de idade, quando o telefone tocou e minha mãe atendeu:
- Alô?
- Olá, dona Florinda?
- Sim!
- A senhora acabou de ganhar um automóvel do carnê do Baú da Felicidade! Um lindo Fusca! A senhora está em dia com o pagamento das prestações?
- Acho que sim...
- Não se preocupe, nós cuidaremos de todos os detalhes! Basta a senhora vir até os estúdios do SBT e retirar o seu prêmio!!! Não se esqueça do RG!!!
- Ok!!!
Depois disso só se ouviu uma gritaria:
- Eu ganhei!!! Eu ganheeeeiiiii! Ganhei um fusca do Baú!!!
- Mas mãe... a senhora ganhou como???
- Ah, a moça disse que eu ganhei por causa do carnê do Baú.
- Mas a senhora NÃO COMPRA carnês do Baú, mãe...
- É, não compro mesmo... mas eu comprei um há 15 anos, paguei uma prestação só... acho que eles acabaram sorteando, né?
Silêncio na sala...
Final da História: A moça que ligou avisando sobre o prêmio era um amigo meu da escola passando um trote, haha... Você viu o nosso Fusca do Baú? Não? Nem nós! Má ôôôiiiii Siiillllviooooooo!!!
Construção!
Parando pra pensar em qual foi o motivo que me levou a fazer faculdade de arquitetura, cheguei a algumas respostas. Pensei no fato de eu sempre gostar de artes e construções em geral. Também pensei no fato de eu ter feito edificações no colégio técnico (isso colaborou bastante). Mas puxando pela minha memória (que, como diz a minha amiga Rubis, "é impressionante para as coisas do passado longíquo") eu me lembrei de algo que pode ter feito toda a diferença: a reforma de minha casa!
Aos 3 anos me mudei com minha família para a nossa nova casa. Era enorme, todos os cômodos eram gigantescos! Com o passar dos anos percebi que não eram tão grandes assim... Mas na época a casa era imensa, e ainda tinha um quintal grandão e uma casinha lá nos fundos. Na primeira vez em que entrei nessa casinha milhares e milhares de pulgas me atacaram!!! Mesmo depois de minha mãe ter feito uma limpeza pesada eu não tive coragem de entrar lá...
Mas gente, vocês não vão acreditar no que havia no quintal: brinquedos de parque!!! Roda-roda, escorregador, cavalinho, gangorra, balanços!!! E uma enorme mangueira (sim, aquela em que amarraram meu velotrol - vide história "Cadê meu Velotrol?").
Assim que nos mudamos, começou a reforma. Ah, eu me lembro direitinho de tudo! Das viagens que fazíamos para encontrar os materiais de construção e de decoração, da barulheira do martelo batendo na parede pra tirar o reboco, os azulejos sendo quebrados, a furadeira, a serra, aquele cheiro de pó, madeira, cimento, tinta, os ferros, as pás, os baldes ...
Eu adorava ajudar os pedreiros! Carregava tijolos, misturava a água no cimento (formando um vulcãozinho com o cimento e jogando a água no meio pra depois "misturar tudo de maneira homogênea", como dizia o pedreiro). Adorava brincar com a massinha que sobrava depois que eles grudavam os vidros nas janelas...
Lembro que havia um moço, ajudante do cara que colocava os armários embutidos. Ele me colocava em suas costas e brincava de cavalinho... eu dizia que era sua namorada (ô menina precoce!).
Lembro também que foi a maior emoção quando colocaram pastilhas como piso do corredor externo. Aquele monte de quadradinhos e eu louca pra pegar uns pra mim! É claro que ganhei alguns...
Final da história: Depois de bem crescida, com mais de 20 anos, fui limpar a casa e adivinha o que encontrei? A marca dos meus dedinhos na "massinha que gruda o vidro" em uma das janelas! Comecei a fazer uma busca e encontrei a mesma marca em várias janelas!!! Mostrei pra minha mãe e ela disse: "Ah, você adorava fazer isso!".
Data tão festiva
7 de setembro, data tão festiva
Foi a independência desta terra tão querida
É uma grande data para o meu Brasil...
Bom, faz tanto tempo que eu cantava essa musiquinha que acabei me esquecendo do resto da letra... Mas o fato é que esta data era um dos acontecimentos mais emocionantes de minha vida!
Quando era pequena, contava nos dedos os dias que faltavam para que eu pudesse ir até o centro da cidade, numa das ruas em que o sensacional "Desfile do Dia da Pátria" acontecia. Tudo era muito lindo, colorido, mas o que mais chamava a minha atenção era o som da fanfarra. Eu adorava ouvir aquele batuque todo, o bumbo, o surdo, a caixinha, a marimba, as cornetas... E ali, vendo aquilo tudo aos 8 anos, prometi a mim mesma que um dia tocaria numa fanfarra.
Já adolescente, resolvi concretizar aquele meu sonho. No colégio havia duas opções: ou você simplesmente desfilava, ou você desfilava tocando. E lá fui eu...
Peguei uma caixinha de repique e comecei a tocar, como se fosse minha velha conhecida. Eu fazia todos os toques na maior facilidade, e por isso logo me tornei aquela que conduzia todos os outros instrumentos, a chamada "puxadora de toques".
Foram meses de ensaio, todas as noites... as vezes ensaiávamos de manhã também, no intervalo das aulas. Ah, a emoção no dia do desfile era indescritível. O percurso era pequeno demais pra tanta vontade de tocar... Acabei tocando em fanfarra durante 4 anos!
Mas como em todo lugar rola muita competição pra ver quem é o melhor, no último ano havia uma menina que morria de ciúme de mim por eu ser a "condutora de toques". Ela tocava surdo, e sempre me xingava me mostrando a sua baqueta, falando que um dia eu ia me dar mal. Nunca entendi direito essa cisma dela comigo...
Em um dos ensaios ela veio e me disse:
- Você se acha melhor do que eu, né?
- Hum????
- É isso mesmo! Você se acha melhor do que eu! Pois hoje você vai aprender uma lição!!!
Gente, ela veio pra cima de mim com aquela baqueta enorme, feita de madeira pesada. Sem pensar direito, eu agarrei o braço dela com uma mão, e com a outra arranquei a baqueta dela. E taquei a baqueta no meio de sua cabeça. A menina desmaiou e eu saí correndo.
Final da história: Nunca mais vi a menina no colégio. Me disseram que ela mudou de escola... Será?

Semana que vem eu volto.
|
|
|||
|
|||